quinta-feira, 13 de maio de 2010


“Voltou ao seu passado , examinando- o para relrembrar qual tinha sido a atividade que mais conseguira envolvê-lo com fascínio quando era menino” Aquilo que o entretinha fazendo o tempo passar sem que ele notasse”

“Se alguém conseguir descobrir esse instante, poderá também descobrir um ponto inicial para efetuar a sua própria reconstrução. Volte ao passado e descubra qual era a sua verdadeira fascinação”

Campbell, A jornanda do herói, p.81

Ler isso foi transformador para mim.






terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


Estar no mundo de um modo

mais livre, mais delicado e viver com menos “pré- conceitos”

E aqui recupero mais uma vez, a crônica do Romano tão linda e necessária. E depois teço minhas considerações

Affonso Romano de SantAnna

Tempo de delicadeza

Sei que as pessoas estão pulando na jugular uma das outras.

Sei que viver está cada vez mais dificultoso.

Mas talvez por isso mesmo ou, talvez, devido a esse maio azulzinho, a esse outono fora e dentro de mim, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente nesta crônica, varando os tiroteios, os seqüestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nas esquinas da televisão e do cinema com a vida.

Talvez devesse lançar um manifesto pela delicadeza. Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos". Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente pornográficos". Por isso, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinícius de Morais ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense:

Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados.

Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos.

Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.

Já a delicadeza guerrilheira de Guevara era, convenhamos, discutível. Mas mesmo ele, que andou fuzilando pessoas por aí, também andou dizendo: "Endurecer, sem jamais perder a ternura".

Essa é a contradição do ser humano. Vejam o nosso sedutor e exemplar Vinícius, que há 20 anos nos deixou, delicadamente.

Era um profissional da delicadeza. Naquela sua pungente "Elegia ao primeiro amigo" nos dizia:

Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente.

E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha alma

Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.

Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento.

Se me entediam, abandono-as delicadamente, despreendendo-me delas com uma doçura de água.

Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim

Deprende esse fluido que as envolve de maneira irremissível

Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher

Mas com singular delicadeza. Não sou bom

Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado

Porque dentro de mim mora um ser feroz e fraticida

Como um lobo.

Esta aí: porque somos ferozes precisamos ser delicados. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.

Houve um tempo em que se era delicado. E houve um tempo em que, citando poetas, até se citava Rimbaud. Esse Rimbaud que Paulo Hecker Filho acabou de retraduzir no livro Só poema bom e o Leandro Konder reinventou numa moderna trama policial em A morte de Rimbaud.

Pois aquele Rimbaud, que aos 17 anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida."

Intrigante isso.

Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Não é certamente o caso de Rimbaud, que se meteu em crimes e contrabandos na África. O que ele perdeu foi a poesia. E isso é igualmente grave.

Confesso que buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutando palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de serem cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles.

Tudo é questão de estilo.

Aquele detestável Bukovski, sendo abominável, no entanto, num poema delicado dizia que gostava dos gatos, porque os gatos tinham estilo. É isso. É necessário, com certa presteza, recuperar o estilo felino da delicadeza.

A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética.

Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios.

Vivemos numa época em que nos filmes americanos os amantes se amam violentamente, e em vez de sussurrarem "I love you" arremetem um virótico "Fuck you".

Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST - com sua foice e fúria - dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres deste país há 500 anos?

Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memoráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e, no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou seu contato com os índios brasileiros: "Morrer se preciso for, matar nunca".

A historiadora Denise Bernuzzi de Sant'Anna anda fazendo entre nós o elogio da lentidão, denunciando a ferocidade da cultura da velocidade. É bom pensar nisso. Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos indo a lugar nenhum.

Curioso. A delicadeza tem a ver com a lentidão. A violência tem a ver com a velocidade. E outro dia topei com um livro, A descoberta da lentidão, no qual Sten Nadolny faz a biografia do navegador John Franklin, que vivia pesquisando o Pólo Norte. Era lento em aprender as coisas na escola, mas quando aprendia algo o fazia com mais profundidade que os demais.

Sei que vão dizer: "A burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados."

- E eu não sei?

Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados.

Eu havia dito que teceria considerações....... me parece que estou tecendo há um tempo, de modo lento, uma outra disposição a viver as coisas, as pessoas, a vida.

Tecer é um ofício lento. Um trabalho manual, das mãos e do olhar. Pouco a pouco a coisa vai tomando forma......

Teço lentamente coragem para estar, propor, assumir, responder e ser.

Coragem para dizer certas coisas.

Tecer é de algum modo parecido com o plantar. Requer calma, amadurecimento, estações e uma disposição para as transformações.

A coragem explode com a lentidão, com a aprendizagem.

Viver

Reviv

River

ri

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010



comecei o ano lendo bastante..... sobre outras pedagogias, disciplinas do corpo, poesia.....
dois livros de Moshe Feldenkrais, um outro chamado
"Corpo:território do sagrado, um outro sobre pedagogia Waldorf, dois livros sobre dança circular, terminei de ler "tempo e delicadeza" ..... as leituras estão coexistindo umas com as outras....

cartas e mais cartas..... muitas caixas.......é verdade....joguei fora e guardei poucas pra lembrar da adolescência.....dos tantos amigos daquela época.
plantei girassois nas bordas da horta e algumas se-mentes. Estou colhendo chuchu, maracujá e lavanda aos montes

assisti vários filmes, encontrei meus melhores amigos...tive conversas familiares

estou organizando as bases curriculares sobre os temas nos quais vou dar aula.....
cozinhei, fiz passeios com buga, levei rita para operar e vi ela delirar e fui chamada para tranquilizá-la...

fiz revisão em meu carro, fui a médicos, estou preparando mala.....

vou viajar. praia + dança circular. Vou conhecer a bahia.

isso se chama férias....
Estou aqui, "abri minha narguila"...... e o cheiro me lembra o LTS, Israel.... as coisas que já vivi.

Escuto guidigov, karl jenkins, bach......ve guidigov

converso com minha irmã sobre os americanos e o egocentrismo desse povo e rimos dos casos, do descaso deles....conversamos sobre educação waldorf e ponderamos e pensamos...

Agora, vejo uma pequena teia de aranha habitando meu kalanchoe.... deixo.

preencho a vida com mais humor, mais generosidade, menos idealismo, mais atenção ao corpo, à saúde...... mantenho a diversão com amigos e comigo mesma

mas sempre há um tantinho de faltas.....

sempre um aprendizado..... transformar.......coisas, pessoas, sentimentos.....transformar os amores....., com as aventuras feitas, aprender a lidar com a dor .....com as mudanças que acontecessem o tempo todo....

acho que basicamente quero estar atenta as transformações..... e esse é processo lindo.... da morte, nascimento, picos e quedas e transformacões.

é a natureza dos seres. Aprender a lidar com essa natureza.
escrevo aqui sem muito compromisso com a própria escrita ou com leitores....
pra ser livre com o pensamento







domingo, 20 de dezembro de 2009

preencheu a vida com a es-pera
pois tinha medo do vazio

tanto esperou que acabou encontrando o inesperado.
aí foi aprendendo a preencher as surpresas com mais humor e sobretudo,
mais cautela.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer." (Joseph campbell)



é!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Foco da semana:

Não ter dores
saber o lugar certo para colocar o meu pescoço
exercitar mandíbula e tomar muita água
Dormir bem

preparar e dar uma oficina de dança circular em Sete Lagoas

Término de atividades gan shabat

Entregar para coordenadores a sistematização do roteiro e organização espacial da formatura PBH

Formatura da nina

Preparar o conceito de um vídeo e começar a organizá-lo.


Estou terminando o ano com muitas atividades. Boa parte delas já está encaminhada, resolvida, pronta. Não suporto ter a sensação que está "na última hora, estou atrasada para" por isso tenho às duras penas focado o planejamento das coisas e a realização dele ao longo do processo para que ao final, na última semana eu esteja bem tranquila.

Isso tem sido possível e preciso dessa organização pra ficar bem. cada um precisa de uma coisa.

Nesse último mês foram aparecendo vários outros afazeres não previstos, problemas, oportunidades e responsabilidades que eu quis assumir. Apareceu tbm questões de saúde.....a ATM e ela foi minha prioridade.
a saúde

Estou a cada dia tendo menos dor, as tonteiras cessaram e aos poucos vou percebendo o lugar correto das partes do corpo. Isso deve se chamar consciência corporal. Devo essa melhora à muitas pessoas, especialmente `a minha fisioterapeuta, tão cuidadosa e competente e aos olhares carinhosos de todos aqueles que querem o nosso bem.

Saí da fisioterapia pensando:

Basta saber os objetivos, olhar e cuidar pra transformar. (sim, essa frase faz jus ao meu signo virginiano ! :)










domingo, 25 de outubro de 2009

então disse:

fico aqui só até dezembro, depois viajaremos. Pra onde?
Não sei. Vc não sabe onde vai morar?
não, levo minhas coisas na mala. Não posso ter muitas coisas. Nem me apegar à casa.

o exercício do desapego, êta coisa difícil!

uma amiga minha, mulher de preparador físico de um time de futebol.